Não consegui ir a esta, mas achei que "L'affair farewell" ou só Farewell, como é aqui, seria uma boa opção.Sobre o filme, recomendo. Deu um certo trabalho, tendo em vista que ele é falado em russo, francês e inglês, e isso me exigia mudar o botão a todo momento, mas deu para ter a noção geral. Trata da guerra fria e é bem interessante, incluindo aí a reconstrução de Moscou no finzinho do regime.
Mas o que é mais digno de nota é o cinema per se.
Sou absolutamente vidrada no Cidades Invisíveis, do Italo Calvino. Um dos contos dele fala que, sempre que estamos falando sobre qualquer lugar, na verdade, estamos falando sobre a nossa cidade. Não me lembro quem sempre comentava comigo que detestava esta mania de dizer, por exemplo, que tal fruta lembra aquela, mas é mais ácida. De minha parte, acho que sempre temos lá nossas referências afetivas. E, partindo delas, observamos o mundo.
Feito o preâmbulo, meu cinema na esquina, onde cheguei em literalmente dois minutos, tem a estrutura idêntica ao de Barra do Piraí, onde morei por tantos anos. Juro! As três colunas e dois corredores, com cadeiras a perder de vista, o balcão acima, a semi-inclinação, a pompa. Na verdade, o daqui é fabuloso, o de lá era decadente (tanto que virou uma Igreja Universal). Descobri que foi construído em 1928, tem mais de 1.000 lugares e tem esta estrutura porque comportava a orquestra que acompanhava os filmes mudos.
Porém, entrar no cinema de Ann Arbor, fez-me recordar as tardes de sexta-feira, a pipoca com manteiga, os filmes que já haviam saído de cartaz no Rio. Ludmila, Vivi, Cris, Osvaldo, Mari, Laure, Flavinho(s), Leo, Pablo, Luciano, Geraldo, Fernanda, Bia, Nane, Luca etc etc etc etc.
Nada como o cinema! Foi bom me sentir em casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário