segunda-feira, 13 de setembro de 2010

13-09-2010 - O primeiro dia de aula

Em 1997, minha mãe se mudou para o Humaitá e eu com ela. Apesar de um breve lapso na Urca, desde então, vivo naquele quadrado que vai da Conde de Irajá até o Túnel Rebouças. Isso posto, achei que, pela primeira vez, estando a milhares de quilômetros, minha emocionante vida particular seria intrigante. No way, man!

Na minha primeira aula, de escritos e filmes etnográficos, a turma, além dos estadunidenses, era composta por gente do Nepal, da Índia, das Filipinas, do Iraque. Mas havia também segundas gerações de colombianos, panamenhos, jamaicanos. A ONU inteira. E gente para todos os gostos: gay, menininha, gordo, bonita, lésbica, mais velhos, mais novos e a sem novidade aqui. Aí pergunto eu: em que momento esta nação, composta por tanta mistura (nunca, em sala alguma em que estudei, vi tanta cor e tamanho), vira aquele outro monstro horrível, cheio de preconceito e restrições étnicas que a gente conhece?

Fiquei pensando também como aqui ninguém é daqui. A professora mesmo, uma escritora magnífica chamada Ruth Behar, é de origem cubana.

Intriguei-me com esta história da mistura a aula inteira enquanto ouvia cada um contar um pouco das suas histórias mirabolantes. Ainda não tenho nenhuma resposta razoável. Por ora, só sei dizer que gostei disto de me sentir tão igual e tão estranha como os demais. Taí: a primeira aula de etnografia já me serviu para algo. 

PS.: Por uma falha grave, tirei a máquina da bolsa. Mas a foto do dia seria a bandeira dos Estados Unidos tremulando no campus, com o céu azul no fundo e o gramado verdinho (nele, uma mulher de shador, umas "patys" lanchando e os orientais de praxe). Não é que estava bonita a cena?

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